As quatro chapas ao Governo do Amazonas em 2026 são o resultado de uma reorganização política sem precedentes no Amazonas — costurada em três meses, entre a renúncia de Wilson Lima em maio e o fim das convenções em 5 de agosto. Roberto Cidade herdou o governo por eleição indireta; Omar Aziz quer voltar ao Executivo com o apoio do senador Eduardo Braga; David Almeida abandonou a Prefeitura de Manaus; Maria do Carmo Seffair vem para sua segunda campanha majoritária com o carimbo de Bolsonaro. A Agrovia leu o mapa de alianças, os movimentos de bastidor e a força regional das quatro apostas.
A disputa de 2026 é a primeira eleição amazonense desde os anos 1990 sem um governador originalmente eleito no cargo. Roberto Cidade (União Brasil) assumiu em 4 de maio por eleição indireta unânime, após a renúncia de Wilson Lima rumo ao Senado. Omar Aziz (PSD) retorna à disputa do governo apoiando Eduardo Braga (MDB) para reeleição ao Senado; David Almeida (Avante) deixou a Prefeitura de Manaus em 31 de março após dois mandatos; e Maria do Carmo Seffair (PL) estreia com apoio de Jair Bolsonaro.
As quatro coligações
- ▸Cidade + Serafim (Federação União Progressista + PSB + Podemos, Wilson Lima ao Senado) — herda a máquina estadual e o palanque da continuidade.
- ▸Omar + Alessandra Campêlo (Força Amazonas · PSD + MDB + Federação Brasil da Esperança + Republicanos, Braga ao Senado) — única chapa com dois ex-governadores; alinha PT/PCdoB/PV ao governo federal.
- ▸David Almeida + Shádia Fraxe (Pra Cima Amazonas · Avante + PDT + Federação Renovação Solidária + Agir + DC) — base municipalista, sem lastro em partidos majoritários no Congresso amazonense.
- ▸Maria do Carmo + Coronel Aníbal (PL isolado, Alberto Neto ao Senado) — aposta no capital nacional do PL. Migrou do Novo em 16/04/2025 para viabilizar a chapa.
Geografia eleitoral e legado
Fora da sede de Governo, a Federação PSDB/Cidadania (homologada em 27/07) é neutra no 1º turno e concentra energia na reeleição de Plínio Valério ao Senado — mais votado do AM em 2018 (834 mil votos). Na Metropolitana (60% do eleitorado), David chega com 576 mil votos de 2024; no Alto Solimões, Cidade espera herdar a base ribeirinha de Wilson Lima; no Sul, Maria do Carmo capitaliza Marco Temporal e EC 144; no Norte, Isael Munduruku (Rede/PSOL) disputa o voto identitário.
Se você acompanha política amazonense, a leitura do tabuleiro é essencial para entender o que cada eleição carrega além das plataformas de governo. Coligações determinam base de sustentação legislativa, apoios nacionais definem canais em Brasília, e a força regional projeta quem consegue mobilizar prefeituras nos 61 municípios do interior — variáveis que pesam tanto quanto o programa registrado no TSE.
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