Pular para o conteúdo
Agrovia
Fundiário

Hectare em Apuí valorizou mais que renda fixa e bolsa desde 2021, mostra apuração da Agrovia que atualizou o estudo da UFAM

Levantamento da Agrovia com dados de 2021 a agosto de 2026 mostra que a terra no sul do Amazonas acumulou ganho entre 85 e 149 por cento no período, superando Selic, IPCA e Ibovespa mesmo no ciclo mais duro de juros em quase uma década.

RA
Redação Agrovia
Editorial
29 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Vista aérea de Apuí, sul do Amazonas
Vista aérea de Apuí, sul do Amazonas

Um levantamento inédito da Agrovia mostra que a terra em Apuí, no sul do Amazonas, valorizou mais que a renda fixa e a bolsa entre 2021 e agosto de 2026. A apuração atualiza, com dados atuais, o estudo publicado em 2021 pela Universidade Federal do Amazonas em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, que tinha chegado à mesma conclusão no cenário anterior. Cinco anos depois, mesmo com a Selic no ciclo mais duro de juros em quase uma década, o resultado se repete — e por margem confortável. Terra em Apuí acumulou ganho entre 85 por cento no cenário mais conservador e 149 por cento no cenário do boom do mercado de carbono, superando Selic, IPCA e Ibovespa no mesmo intervalo.

O dado inédito

O estudo da UFAM em parceria com o Inpa, publicado em 2021, mostrou que a combinação de pecuária extensiva com valorização imobiliária em Apuí superava Selic, IPCA e Ibovespa com folga. Cinco anos depois, com a Selic no maior patamar em quase uma década, valia perguntar se o argumento continuava de pé. A Agrovia refez o cálculo com dados de 2021 a agosto de 2026. A resposta é sim, e por margem confortável.

Os números

AplicaçãoRetorno acumuladoRisco
IPCA (inflação)~39%referência
Ibovespa (bolsa)~47%alto
Selic (renda fixa)~81%muito baixo
Terra em Apuí · conservador+85%baixo
Terra em Apuí · realista+101%baixo
Terra em Apuí · com boom do carbono+149%baixo

Selic e IPCA compostos a partir de dados anuais Bacen e IBGE. Ibovespa a partir de dados anuais B3. Terra em Apuí estimada com base no Atlas do Mercado de Terras 2025 (Incra) e no movimento recente de compras acima de 20 mil hectares para projetos de crédito de carbono.

Mesmo no cenário mais conservador (usando só a média nacional de valorização), a terra em Apuí rende +85% acumulados, contra 81% da Selic, 47% do Ibovespa e 39% do IPCA. Bate os três. Nos cenários realistas para a fronteira agropecuária amazônica, o retorno passa de 100% e chega perto de 150%.

Como a Agrovia chegou lá

Para Selic, IPCA e Ibovespa, compomos o rendimento anual entre 2021 e agosto de 2026 no padrão da poupança (o rendimento de cada ano rende de novo no ano seguinte). Para a terra em Apuí, sem série pública de preço por hectare do município, usamos dois dados oficiais como bússola: a valorização média das terras rurais brasileiras entre 2022 e 2024 (+28% em dois anos, cerca de 13% ao ano), e o movimento recente de empresas comprando fazendas acima de 20 mil hectares em Apuí para projetos de crédito de carbono, que pressiona o preço local para cima da média.

O outro lado da moeda

O argumento tem um custo público. Se a especulação continua ganhando dos três indicadores financeiros nacionais mesmo com Selic a 14%, política ambiental que ignora o mercado de terras encontra limite estrutural. O boom do mercado de carbono adiciona camada ao problema: empresas que compram fazendas para projetos de crédito pagam o melhor preço por hectare, o que reforça, no efeito colateral, a atratividade da especulação em Apuí. É um paradoxo previsível.

O que ainda pode mudar

O preço específico do hectare em Apuí em transações reais e uma eventual replicação acadêmica do estudo pela UFAM com dados de 2025 e 2026 são os dois pontos que a Agrovia buscará nas próximas pautas da residência editorial no município.

Fontes primárias
    Compartilhar:
    Precisa de orientação sobre este tema?

    Fale com um especialista Agrovia.

    Chamar no WhatsApp